| Friday, 18-May-2007 17:34 |
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Será por sentir que os ideais porque me dabati estão ameaçados..
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... será porque vejo cada vez mais a sociedade de Megalopolis a tomar forma...
A verdade é que nunca senti tão perto a "profecia" de Herbert Pagani, um poeta, um visionário.
Por isso me apetece render-lhe, neste Fotoblog, uma homenagem. Porque também ele defendia um ideal de liberdade e a construção de um Mundo que eu gostaria de deixar ao meu filho como herança.
Herbert Avraham Haggiag Pagani, conhecido por Herbert Pagani (nasceu a 25 Abril 1944 em Tripoli na Libia – faleceu em 16 Agosto 1988 num hospital de Palm Beach, Miami Florida) foi um cantor célebre desde os finais dos anos 60. Foi o primeiro Disc Jockey da Rádio Monte Carlo.
Morreu aos 44 anos, com uma leucemia fulminante, quando se encontrava em NY para uma tourné. Hoje, repousa em Tel Aviv.
Pintor, escultor, escritor, poeta, actor, DJ, cantor, politico, ecologista e pacifista, tantas foram as áreas onde se destacou, porém foi como cantor e defensor dos ideais da liberdade que ele se apresentou no nosso país.
Foi nos primeiros anos da década de 70 que lançou a sua obra máxima, o duplo álbum Megalopolis (1972). Uma autêntica tragicomédia musical, saída da imaginação deste visionário poeta. Uma reflexão, feita há 35 anos, sobre o futuro apocalíptico da Europa, que diga-se, infelizmente para nós, não está muito longe de se verificar na sua quase totalidade.
Em Magalopolis, 1972, Herbert Pagani, prevê, para daí a sensivelmente 20 anos, o caos da Europa. Um álbum emblemático com uma duração aproximada de 90 minutos, escutá-lo é como ver um filme de ficção politica em poesia, onde o amor, a amizade e a solidariedade vão tentando sobreviver num mundo cada vez mais cruel e tecnológico que corre desenfreadamente para a sua destruição.
Megalopolis, faz referência à última década do século XX, em que todos os Estados Unidos da Europa, hoje CEE, são governados por um só presidente, então chamado de director-geral.
Megalopolis, é como uma ópera ecológica e reparte-se em dois níveis; a decomposição de um mundo minado pelo esgotamento das fontes energéticas e a resistência de um grupo de “rebeldes” a esse universo apocalíptico e sem futuro. Pagani, entrecorta alguns momentos musicais com fragmentos de ruídos da vida quotidiana, noticiários, ou spots publicitários. O resultado é fantástico. Apesar da qualidade e da venda de muitos exemplares, o duplo álbum, Megalopolis, só atingiu o êxito e o sucesso na Europa quatro anos depois da sua edição em França. Em Portugal, em 1978, (onde o poeta completou os 34 anos) o álbum foi apresentado na íntegra, quer no Coliseu dos Recreios em Lisboa, quer na Praça General Humberto Delgado no Porto, numa noite de Cântico Livre, que foi onde tive o privilégio de o ficar a conhecer.
Já 30 anos se passaram. Pagani, não está mais entre nós e o seu Apocalipse não se confirmou (pelo menos ainda não na totalidade, nem na data que previu...). Mas os Estados Unidos da Europa, a dita CEE, está aí e a desumanização também.
A sociedade de consumo floresce e as reservas de energia começam a esgotar-se... e para que fique uma ideia…
Megalopolis inicia assim:
“Esta história começa daqui a vinte anos
Quando as nossas crianças tiverem vinte anos
E o Oriente e o Ocidente
Respirarem o mesmo ar óxido
Sobre um céu de celulóide
E quando a vida for esplêndida
Entre os oceanos de ácido
E as Flóridas de cimento…”
Dentro do possível tentarei completar esta homenagem com os poemas mais emblemáticos que escreveu. Desta forma, quem conheceu o homem pode recordar o poeta e reviver a música, os que ainda não eram nascidos nessa época podem reflectir um pouco sobre o mundo que estamos a construir para as gerações futuras. Áqueles a quem despertar a curiosidade de querer conhecer a sua música, é só dizer.
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